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O futuro é humano - Parte 1 - Novo Expediente

O que é preciso para que o futuro do trabalho seja mais humano?

A máxima ao falar sobre o futuro é que milhares de empregos vão desaparecer. Eu acredito que isso pode ser positivo e este artigo tem o objetivo de explicar o porquê.

Por um lado vemos uma corrida incessante por investimento em tecnologia, de outro um discurso vazio sobre a importância das pessoas. Talvez seja preciso lembrar que investir em tecnologia sem olhar para o nível de humanidade que vai conduzi-la é inútil e até arriscado. É só observar na história como as lideranças usaram o poder que lhes foi atribuído. Qual proporção o poder ganha com a tecnologia? De que vale a rapidez, eficiência e agilidade de um homem que não evoluiu em seus valores? De que vale a informação sem formação?

 

Eu acredito que para falarmos sobre um futuro do trabalho mais humano, é preciso falar sobre o grau de consciência da humanidade.

Einstein tem uma frase que diz que “não podemos resolver os problemas com o mesmo grau de consciência que os criou”. E nós temos o hábito de, enquanto sociedade, olhar para o futuro como uma continuidade da realidade que conhecemos. 

Ao analisar a história da humanidade, veremos que o Homo Sapiens existe há 70 mil anos. Desses 70 mil anos, há um fragmento que chamamos de era industrial. A era tecnológica – é um fragmento ainda menor.

Então para pensarmos o futuro, seria um desperdício partir desse olhar único sobre a nossa forma de vida hoje que limita muito a nossa capacidade de criar o futuro e realidades diferentes. 

Um capítulo à parte na polêmica sobre a substituição de humanos por máquinas, figuras como Elon Musk e Mark Zuckerberg têm falado sobre a criação de um fundo global para sustento básico de pessoas que perderão suas funções em subempregos. 

 

É confortável pensar na possibilidade de vir um herói e nos salvar.

Mas não precisamos disso. Existe uma crença subconsciente na maioria das pessoas de que alguém precisa criar algo para nos salvar. Seja um emprego ou um benefício social. Somos educados nas escolas para ser empregados e não empreendedores. Precisamos ter um chefe a quem nos reportar e a qualquer momento podemos perder nosso emprego. Vivemos pressionados por um paradigma de medo e não de abundância. Essa é uma forma limitada de enxergar a capacidade humana de criar, aprender e se reinventar que foi moldada pela escola como nós conhecemos. Eu vou dar um exemplo:

Imagine que robôs assumam a confecção de vestuário que hoje é feita pelas mulheres de Bangladesh de forma quase que escrava. Se tivermos ações e projetos educacionais voltados ao desenvolvimento de habilidades essenciais – e não necessariamente técnicas, mas empreendedoras e voltadas para necessidades globais, quão mais desenvolvida essa sociedade poderia se tornar?

Até que ponto nós estamos querendo sustentar algo que não faz mais tanto sentido? Será que é um problema de capacidade ou de mindset?

“A motivação de muitos negócios hoje é sustentar o problema ao qual ele é a solução.” Inaki Scudero

É comum vermos manchetes de movimentos para barrar a inovação, a mudança, o desejo da humanidade de se reinventar. Os taxis que fazem guerra contra o Uber. A TV aberta que quer processar o Netflix. Ministérios inteiros que gastam fortunas e não resolvem problemas simples de saúde, educação, alimentação.

 

Pensar o futuro de forma mais humana é refletir sobre essa questão: qual o nosso papel e a nossa própria capacidade de sermos mais humanos? 

Para encontrar algumas respostas, mais uma vez sugiro pensarmos na história: quando o futuro passou a ter tanta importância? Na época da Revolução Agrícola, existia a necessidade de garantir o retorno do investimento e lutar contra pestes e fome. Perder uma plantação significava perder tudo naquele paradigma.

Com a revolução científica e industrial, criaram-se empregos muitas vezes mecânicos, repetitivos e uma cultura de comando e controle nas empresas. Foi quando tornou-se ainda maior essa necessidade de controlar tudo como conhecemos hoje. Planejamento estratégico, metas rígidas…

A escola como conhecemos foi criada para atender à demanda da indústria. A grade curricular (você já parou para pensar no porquê deste nome?) padronizada é praticamente a mesma em todo o mundo – industrial, conteudista, de onde deriva um aprendizado que condena o erro, barra a criatividade e desenvolve um mindset competitivo nas crianças.

Nos adaptamos a uma vida antinatural que nos distancia cada vez mais da essência e de nossa liberdade para expressar nossa verdadeira natureza, valores e reais percepções de mundo.

Nos tornamos uma sociedade mecanicista que corre o risco de transformar as tecnologias exponenciais no novo tecnicismo do mundo corporativo. 

 

A nova economia vem para mostrar que o modelo industrial não nos serve mais enquanto sociedade.

A humanidade segue evoluindo e é preciso criar um novo modelo que faça sentido para a nossa visão de mundo atual. O que funcionou no passado pode ou não funcionar no futuro e é preciso cultivarmos um solo fértil para que novas ideias potencialmente poderosas possam crescer. Precisamos ter coragem para assumir o potencial humano de criar. Abrir mão de velhas certezas e criar o novo exige coragem. E a vida é uma jornada de descobertas, em que podemos aprender com os erros, as crises e dificuldades, usando-os como impulso para uma verdade mais profunda sobre nós mesmos e o mundo. Para então criar modelos de trabalho mais significativos que façam sentido para nós, para as organizações que fazemos parte e para o mundo. 

 

Quem poderá liderar as transformações se não nós?

É possível criar uma nova realidade a partir de conceitos mais avançados, mais consciência, de uma nova forma de aprender, e do uso de ferramentas práticas e simples, mas que fazem real diferença. Para isso precisamos nos preparar, aprender novas habilidades e competências e nos unir com entusiastas dessa mudança. Juntos, somos capazes de criar modelos mais inteligentes, produtivos e dinâmicos.

Na prática, você realmente acredita que a transformação digital é só sobre tecnologia? Qual o papel da evolução do ser humano e do seu mindset para nos tornarmos facilitadores da mudança que queremos ver acontecer nas organizações e no mundo? 

Eu acredito que se nos conectarmos a nossa natureza humana, veremos que no fundo já temos as respostas para essas perguntas. A frase do John Naisbitt nos deixa uma pista sobre o futuro.

“Os avanços mais emocionantes do século 21 não ocorrerão por causa da tecnologia, mas por conta de um conceito em expansão do que significa ser humano.” 

*Esse artigo é um trecho de nossa palestra “O futuro é humano”. Deixe seu contato se quiser saber mais ou levar para algum evento.